Ainda no ônibus, aquela típica cena: casa de tijólos mal embolsadas, lojinhas, outdoors, típico bairro carioca, sempre o de sempre, aquelas mulheres na rua e seus shortinhos e suas blusinhas, e seus filhos magrelos sendo arrastados segurados pela mãe enquanto o pai de braços cruzados anda do outro lado, “typical” (Mute Math). Eu não via a hora de subir o Morro da Pedra Branca, um portal para o outro mundo, que desagua na Av. das Américas, bem ali no Recreio Shopping, Barra da Tijuca.
Ainda naquele caminho eu já podia ver, por mais que o 853 (Campo Grande – Barra) se arraste-se lentamente, Cannaã estava ali do outro lado (Como eu pude usar os nomes Campo Grande e Cannaã na mesma frase?). A cada curva uma surpresa, cada paisagem uma lembrança. A vista do morro para a Barra é linda, você precisa ver, por mais que sejam apenas casas e gramas ainda sim é melhor do que a janela lá do quarto.
Depois de atravessar o portal lá estava o outro mundo, aquele que você sabe que está ali e você sempre viu e sempre o esqueceu, nem tão perto que se possa ir a pé, nem tão longe que se deva ir de carro. Bonito, até o ar é diferente. Era engraçado ver que não havia terra ali, os jardins, gramados, o verde era tudo em areia de praia, legal né? Passando pelas concesionárias de carros, eu via muitos Mercedes, BMWs e até Jaguars a venda, legal né? Aqueles predios enormes de apartamentos… cursinhos de inglês que mais pareciam uma galeria inteira e o mais impressionante é que o que mais se via era novos conjuntos residencias, apartamentos e condomínios sendo construídos, um mais lindo que o outro. O que me deixou mais “estranhado” naquele lugar foi que não havia lojinhas para se comprar nada, e para que deveria ter? De lado a lado, sempre há um shopping pertinho de você! Legal né? Porque eu fui morar do outro lado em…?
O adeus ao outro mundo fui simples e singelo, um ônibus lotado, três domesticas falando de suas patrõas atrás de mim e um sentimento único: Ainda bem que eu estou voltando! Voltar a realidade é ainda melhor do que sair dela, porque há sempre aquele gostinho de quero mais que te faz voltar de novo, é o que te prende ao mundo fora da sua realidade, entrar e sair dele.
É impressionante o mundo lindo que há pertinho de tudo, um lugar inexplorável para quem já foi lá, é sempre uma novidade! Há sempre novidades! Devo voltar mais algumas vezes, quantas eu não sei, só sei que um dia eu posso não mais voltar desse novo mundo… Legal né?